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Romances Corporativos: Por Que os Casais Ainda Escondem Relacionamentos no Trabalho?

Romances Corporativos: Por Que os Casais Ainda Escondem Relacionamentos no Trabalho?

Embora a legislação não proíba o namoro entre colegas, o medo do julgamento e a falta de políticas claras pesam na escolha pelo sigilo. Veja a análise de Eliane Aere (Umanni/ABRH-SP).

Nicolle Zopelari
Escrito por um humano leitura de 5 minutos

Olhares discretos no café, almoços em horários desencontrados e o cuidado extremo para não saírem juntos do escritório. Essa rotina de esconderijo é a realidade de muitos casais no mundo corporativo. A grande ironia é que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) garante que o namoro entre colegas é perfeitamente legal. Então, por que o sigilo ainda é a regra para tanta gente?

Para responder a essa pergunta, o portal G1 convidou a nossa CEO e presidente da ABRH-SP, Eliane Aere, como especialista que desvenda os tabus dos romances de escritório, a executiva joga luz sobre as barreiras culturais invisíveis que fazem os profissionais preferirem manter a vida afetiva longe do radar do RH e da liderança.

Por Que os Profissionais Decidem Esconder a Relação?

O receio de tornar o romance público vai muito além do medo de fofocas no corredor. O protagonismo desse silêncio voluntário se ampara na incerteza de como a cultura da empresa reagirá à novidade

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"Esse medo vai além da questão legal e está ligado à cultura corporativa e à forma como as organizações funcionam", afirma Eliane Aere. "As pessoas temem que o relacionamento ofusque suas competências técnicas e suas entregas. Há o medo do julgamento dos pares e, principalmente, de que a relação seja interpretada como um potencial conflito de interesses."

Dessa forma, a escolha pela discrição é adotada sob pilares estratégicos de autopreservação profissional:

  • Vigilância e Julgamento Reversos: Após a revelação, interações comuns de trabalho mudam de figura aos olhos dos outros. "Qualquer discordância técnica em uma reunião pode ser interpretada como uma briga de casal. Já a concordância pode ser vista como favorecimento", alerta Eliane.
  • Desvalorização do Mérito: Um dos receios mais comuns é o de que conquistas profissionais deixem de ser atribuídas à competência técnica e passem a ser associadas ao parceiro, especialmente se um deles ocupar um cargo mais alto.
  • O Viés de Gênero: Embora o peso afete ambos, as mulheres enfrentam julgamentos muito mais severos sobre sua credibilidade e capacidade de liderança ao assumirem um relacionamento amoroso na empresa.

Quando a Hierarquia e a Confidencialidade Entram em Jogo

O cenário ganha camadas adicionais de complexidade quando existe diferença hierárquica entre o casal ou quando ambos atuam em áreas que lidam com informações altamente estratégicas e dados sensíveis.

Nesses casos, o papel do RH e da liderança torna-se ainda mais vital para garantir que processos de avaliação, promoções e distribuição de oportunidades continuem baseados estritamente em critérios objetivos e metas transparentes, evitando qualquer percepção de parcialidade ou favorecimento.

O Papel do RH: Criando Ambientes Seguros

Para a presidente da ABRH-SP, tentar separar de forma absoluta a vida pessoal da profissional é uma ilusão que o mercado precisa superar.

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"Somos seres integrais. A separação absoluta entre vida pessoal e profissional é um mito", destaca Eliane.

Em vez de fingir que relacionamentos não acontecem ou punir os colaboradores de maneira velada, as organizações maduras devem investir em ações práticas:

  1. Políticas Transparentes: Estabelecer códigos de conduta claros e sem julgamentos, preenchendo o vazio normativo que alimenta o medo de retaliações.
  2. Cultura Focada em Resultados: Direcionar a avaliação de desempenho estritamente para metas, competências e entregas individuais.
  3. Ambiente Seguro para o Alinhamento: Estimular um espaço onde o casal sinta-se confortável para comunicar a relação ao RH, facilitando, se necessário, remanejamentos de escopo ou equipe sem prejuízo às carreiras.

O futuro das organizações de sucesso exige maturidade emocional de todas as partes para estabelecer limites saudáveis, garantindo que o afeto não barre a produtividade e que a competência profissional continue sendo o único padrão de medida.

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