Burnout e NR-1: Casos no INSS Aumentam 12 Vezes e Exigem Prevenção no Trabalho
Com o avanço das licenças médicas e a entrada em vigor da revisão da NR-1, a gestão de riscos psicossociais tornou-se obrigatória. Entenda os dados do levantamento VIVA e as análises de Eliane Aere (Umanni/ABRH-SP).
O debate sobre saúde mental no ambiente corporativo atingiu um ponto de virada definitivo. Um levantamento exclusivo realizado pelo portal VIVA revelou que o número de concessões de auxílio-doença por síndrome de burnout aumentou 12 vezes entre 2019 e 2025 no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Embora o burnout ainda represente uma porcentagem menor diante do universo total de licenças por saúde mental, onde quadros de ansiedade (603 mil registros) e depressão lideram, a tendência é de alta contínua. Esse movimento é impulsionado pelo reconhecimento da condição pela OMS (Classificação CID-11) e, principalmente, pela entrada em vigor da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir que as organizações mapeiem e gerenciem os riscos psicossociais dentro do seu Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Nossa CEO Umanni e presidente da ABRH-SP, Eliane Aere, participou da reportagem e destacou que a prevenção das doenças mentais não é apenas uma obrigação legal ou humana, mas o investimento corporativo mais inteligente para a sustentabilidade do negócio.
Quanto Custa o Adoecimento e Qual o Retorno da Prevenção?
Quando um colaborador precisa recorrer ao INSS por afastamento de saúde mental, ele fica fora das atividades por uma média de 3 meses. Nas micro e pequenas empresas, a ausência repentina de um líder ou especialista impacta imediatamente a rotina e a produtividade da operação. Além disso, o reconhecimento do nexo ocupacional afeta diretamente o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) e aumenta a alíquota do Seguro contra Acidentes do Trabalho (SAT).
Por outro lado, apostar na prevenção gera retornos financeiros comprovados.
"Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Banco Mundial comprovam que cada US$ 1 investido em saúde mental gera um retorno de US$ 4 em produtividade e redução de custos com saúde", aponta Eliane Aere no portal VIVA.
Uma pesquisa própria realizada pela ABRH-SP em parceria com a Umanni reforça esse cenário: Cultura Organizacional e Desenvolvimento de Liderança foram apontados por mais de 30% dos respondentes como os maiores desafios corporativos para 2026.
"Lideranças preparadas e uma cultura que não normalize o adoecimento são os verdadeiros antídotos contra o burnout. Implementar políticas corporativas de prevenção, como orienta a NR-1, é investir diretamente na perenidade da empresa e na performance sustentável de seus talentos", complementa Eliane.
O que o RH Precisa Fazer para Adequar a Empresa à NR-1?
Para ir além do cumprimento burocrático da lei e evitar passivos trabalhistas ou perda de produtividade, a atuação da área de Recursos Humanos deve focar em ações práticas.
Na rotina operacional, a adequação exige focar em quatro pilares fundamentais:
- Gestão de Riscos Psicossociais no PGR: Mapear fatores da organização do trabalho que gerem sobrecarga, como metas inalcançáveis, comunicação agressiva e jornadas exaustivas.
- Capacitação de Gestores: Desenvolver lideranças preparadas para gerenciar entregas sem recorrer à pressão desmedida e capazes de identificar sinais precoces de exaustão na equipe.
- Cultura de Segurança Psicológica: Criar canais seguros de escuta e denúncia de assédio, garantindo que o colaborador possa expor seus limites sem medo de retaliações.
- Análise de Indicadores: Acompanhar de perto dados de turnover, absenteísmo e uso do plano de saúde para agir preventivamente antes que o caso evolua para o afastamento pelo INSS.
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Conclusão: Prevenção É Performance Sustentável
Os dados do INSS e as novas diretrizes da NR-1 deixam claro: o estresse crônico não pode mais ser encarado como um problema individual do trabalhador. Tratar a saúde mental de forma preventiva é uma decisão estratégica de governança. As empresas que ajustarem sua cultura e capacitarem suas lideranças garantirão não apenas conformidade jurídica, mas equipes mais inovadoras, engajadas e produtivas no longo prazo.
Leve essa provocação para a sua próxima reunião de diretoria.
Use os dados e argumentos deste artigo para mostrar que o RH precisa de ferramentas mais estratégicas.
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